domingo, novembro 14, 2010

Reminder

Da próxima vez que estiveres com a neura e te lembrares de pintar as unhas ao mesmo tempo que passas a ferro e vês um filme, escolhe uma cor mais fácil que a Paradoxal. Ou então vai dormir.

Hoje

É domingo à noite, passa das nove e não estou em Lisboa. Mas era o que queria. A minha casa, mais precisamente o meu sofá, a minha manta e silêncio para ouvir a chuva a cair na beira da janela. Aborrecer-me do livro que me faz companhia e, a dada altura, abrir o armário e tirar de lá qualquer coisa em que mexer.
Sentar-me no chão com papéis espalhados, gesso e uma trincha pequena, como quando preparava as aulas das semanas seguintes. Se me desse na telha misturava algum óleo com terebentina e apertava uns tubos contra a paleta que anda para lá guardada num armário. Esfregava os pincéis untados de óleo e cor numa tela que anda para lá perdida, tentava passar a embrulhada que tenho na cabeça para lá, perdia tempo a olhar e a pensar, no fim achava tudo uma grande porcaria e arrumava a tralha. Esta tentativa iria parar onde pararam as outras: primeiro deixava secar, depois arquivava. Nunca consigo passar nada de jeito da cabeça para as mãos e destas para a ponta do pincel; bem, não é de admirar visto que também não consigo fazê-lo da cabeça para a boca. Depois olhava para o relógio, já passaria da uma da manhã e iria dormir após ter escovado os dentes e posto creme na cara, só mesmo por descargo de consciência que o tempo há de passar e deixar as suas marcas no matter what. Por acaso discuti isto na última consulta, envelhecer, pfffff, e então? não posso fazer nada contra isso, é uma coisa que não posso controlar. Sim, que na minha vida tudo gira à volta do controlo, daquele que exerço a mais e daquele que não tenho sobre o que devia ter. Bom, isto foi só um aparte; adiante.
Acho que continuo tal qual como era, se mudei foi só à superfície, quando deixar as drogas volto a ser aquela que não gosto de ser. Tudo muda e nada muda. Continuo sem entender o que me  falta, o que me tráz assim meia insatisfeita, meia resignada, meia em stand-by. Há dias em que não penso tanto nisto, outros então em que é demais. Isto já mete nojo.
Amanhã volto a casa...

sábado, novembro 13, 2010

Dar

Vem aí o que aí vem, só já se pensa no que toda a gente sabe e isso, a mim, enerva-me e deixa-me mais uma vez às voltas com o que sinto. 
Custa-me receber. Soa-me a obrigação, ao tinha que ser, cheira-me demasiadas vezes a frete que se tem que fazer ano após ano nas mesmas alturas. Normalmente, quanto mais cara é a coisa oferecida pior, sinto-me num processo de compra em que sou o alvo; é o que dá ser maltratada durante anos mas disto ninguém tem culpa, só eu. Sei que não é assim com toda a gente mas também sei que é assim com muitas outras, inclusivé comigo, aqui me confesso, eu a pecadora que se sente por vezes compelida a oferecer prendas a certas pessoas em determinados momentos porque, se não o fizesse, pareceria mal. Normalmente esta voz da razão (?) vem de fora que eu, por mim, estou-me bem nas tintas; o problema é que depois de ouvir a vozinha fico a sentir-me mal. E se esta minha percepção é estúpida, e se não é nada assim, e se estou a ver monstros onde não os há?
Gosto de dar pelo prazer de dar mas não porque se espera que eu dê. Quanto mais me parece que a outra pessoa espera algo de mim, mais chato se torna para mim oferecer seja o que for. Não sei explicar isto de outra maneira. Fizeram-me assim.
Se tiro pouco partido do que me oferecem por me passarem estas tretas pela cabeça? Tiro. Lá no fundo, não é que não goste mesmo de receber prendas, até gosto, parece-me sobretudo que depende de quem dá. Porque de pessoas verdadeiras posso até receber uma sms, caixas que fazem o barulho de vacas,  folhas de jornal de há 30 anos, 9 meses e 10 dias ou rolos de papel higiénico que me cai de certeza melhor que qualquer jóia.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Os sapatos

Morro por uns sapatos vermelhos que ando a espiar há semanas mas neste momento penso no dia de ontem,  passado de sapatilhas (ou ténis vá), a caminhar num matagal em Sintra. Aquilo sim foi o reviver das saídas que fazia há 20 e qualquer coisa anos. Foi mais que bom.
Morro pelos estúpidos dos sapatos e, no entanto, ontem, depois de muito pensar, optei por não calçar uns muito parecidos para sair ao fim da tarde. Escolhi a segurança de uns rasos mas queria ter enfiado os outros, foram-se-me os olhos por eles. Os outros faziam-me sentir bem, as bailarinas fizeram-me sentir confortável. 
São escolhas.
Compro ou não?


quinta-feira, novembro 11, 2010

Mine Vaganti

Vi o filme ontem, adorei, ri, pensei e fiquei com esta música na cabeça. Adoro que o M. me cumprimente com um Ciao Bella, um abraço e um beijo, como só os Italianos sabem julgo eu. Pensei nele o filme inteiro, se já o terá ido ver e a rica conversa que isto vai dar a próxima vez que nos virmos.

quarta-feira, novembro 10, 2010

{enorme suspiro...}

No domingo, uma coisa qualquer mordeu-me perto do olho e ando a dormir pouco e mal de novo. Na segunda-feira perguntaram-me o que tinha e ontem disseram-me para avisar quem de direito que "... na cara não, nota-se. Diz-lhe que as listas telefónicas não deixam tantas marcas". Na dúvida se havia de rir ou chorar optei pela primeira e acompanhei de uma ameaça verbal. Ontem maquilhei-me e hoje também, parece melhor; o que não melhorou foi a tendência assassina que tenho vis-à-vis da minha vizinha de baixo.
Ontem perguntaram-me se me podia dividir em duas mas o que queriam mesmo dizer era se me podia multiplicar por duas o que, bem vistas as coisas, é diferente. Não se trata de manter a mesma carga de trabalho e de dividir a atenção por dois projectos mas sim de duplicar a carga de trabalho e de consagrar a mesma atenção a cada um deles. Ou esta gente não se explica ou eu complico tudo. 
Ok... Talvez eu complique um pouco. Mas isto tudo também não melhora a tendência assassina que tenho vis-à-vis da minha chefia.
O que eu preciso é de férias e Barcelona ainda está tão longe...

sexta-feira, novembro 05, 2010

Do outro lado do espelho

Não sei o que é pior, se ouvir a minha voz gravada ou se ver fotografias minhas. Nunca me reconheço, ou não me quero reconhecer, nunca acho que sou eu. Um dia gostava de entender porquê.
Se telefonasse para mim própria acho que teria que perguntar Quem fala? todas as vezes. A resposta seria sempre Tu, sua mentecapta, tu... Já me aconteceu ficar a pensar na maneira como soam as minhas palavras, às vezes é estranho, podia jurar que o som saiu de outra garganta. Não sei a minha voz de cor, parece-me que não é com aquele tom que falo comigo própria.
A única evidência que há de mim enquanto gorda são as fotografias (para além da memória dos meus amigos e de uma ou outra estria). Na minha cabeça sempre fui como tinha sido até mudar; agora que estou  mais ou menos normal de novo, continuo a ver-me gorda porque ainda não estou bem como sempre fui. Na minha cabeça é que já não sei bem como sou. Quando sonho comigo vejo-me sempre normal, isso quer dizer alguma coisa? Não há espelhos em minha casa (o da casa de banho não conta, não o consigo tirar), será que é normal?
Pois é, eu sei, isto é cansativo, já chateia e já não há paciência, eu sinto o mesmo. Por outro lado e um pouco contraditoriamente, ando estranhamente bem, diria até leve.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Saída de campo

Por aqui isto significa irmos-nos todos enfiar numa sala enorme e ficarmos a ouvir uns senhores e umas senhoras falar acerca de quão afortunados somos por trabalhar com (para) eles. Vai ser um exercício mental intenso, sobretudo para não adormecer. Sei que vou chegar a casa cansada e desiludida porque podia ter aproveitado muito melhor a tarde a apenas uns passos dali, à beira rio, do outro lado da estrada.
Quando era miúda, significava calçar botas de borracha, vestir um casacão e ir de passador em punho para a floresta apanhar girinos para meter num frasco. Acho que até já disse isto. Era exercício físico intenso, chegava a casa cansada, orgulhosa por levar marrons nos bolsos pensando que era castanhas.
Pronto, é triste.

quarta-feira, novembro 03, 2010

I miss this place in Fall...

O "meu" Englisher Garten e a minha bicicleta de 25 euros para ir até lá...

terça-feira, novembro 02, 2010

Ça sert à ça l'amour...

A minha banda sonora de hoje...


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