terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

Perguntas

Há dias em que me pergunto mesmo o que é que ando aqui a fazer. Aqui, neste mundo, mas porque é que eu existo, que raio de importância tenho eu no meio de toda esta gente que vive neste planeta, já nem falo dos outros (planetas, claro). Se eu desaparecesse isso faria diferença a quem, porque é que me levanto todos os dias de manhã para fazer sensivelmente sempre as mesmas coisas mesmo que eu ache que não, que sou original no que faço e que até ocupo o meu tempo de forma diferente, que sentido tem esta minha vidinha afinal? É para ter algum sentido at all? Chateiam-me os fulanos que tiram um sentido para a vida de cada livro que lêem ou de cada filme que vêem, será que não estou a ser uma chata para mim própria ao insinuar que tenho que ter um propósito para cá andar? Não posso só gostar ou não gostar de viver e pronto, tal qual como se gosta de um livro ou de um filme? (Filosofia barata a estas horas é sono, só pode.)
Deve ser porque nesta altura anda tudo preocupado em fazer balanços e eu não tenho grande coisa para balançar, é que até ao lavar dos cestos é vindima e ainda faltam 3 dias para o ano acabar. Isto até rimou, só pode querer dizer coisa boa. É remoto mas é possível, as probabilidades dizem que é, posso conhecer o homem da minha vida, não, melhor, a relação da minha vida (o Júlio Machado Vaz lá sabe), posso ganhar o Euromilhões, posso morrer, posso muita coisa, posso conseguir mais nestes 3 dias do que nos 362 que já passaram.
(Acabei de ver a Filomena Cautela a espetar um chocho ao João Manzarra. Linda, a cara dele.)
Isto amanhã muito provavelmente já passou, dá-me assim de vez em quando, (já) não é grave, acho eu. Vou dormir que o teu mal é sono, estás como uma bola, já dizia o meu avô.

sábado, 26 de Dezembro de 2009

Cidade Inbicta

Há anos que não ia ao Porto mas soube-me tão bem lá voltar... O dia esteve lindo, frio e solarengo como se querem os dias de inverno, ou pelo menos como eu os quero porque é assim que gosto deles. Passeio não houve muito mas houve conversa à volta da mesa, sentadas no sofá e por fim em volta de um chá de tília, sem acúcar.






sexta-feira, 25 de Dezembro de 2009

As pessoas

Acho que já falei delas há uns tempos. A grande maioria não me diz nada, se calhar (e é o mais provável) eu também não digo grande coisa à grande maioria das pessoas que me passam pela vida; temos pena, é assim mesmo, não conseguimos agradar a Gregos e a Troianos.
As pessoas dividem-se então entre as que interessam e as que não interessam. Não, não sou interesseira, de todo, mas é que mesmo nada, quem me conhece pode atestar mas isso também não interessa agora; adiante. As que interessam (para mim, claro) são aquelas que à primeiríssima impressão me suscitam um sentimento que nunca consegui explicar muito bem. Não sei se é simpatia, se é confiança, se é genuinidade mas se houvesse uma só palavra que exprimisse estas três "coisas" acho que seria essa. Se a pessoa me inspira isto tudo, maravilha; senão, a minha boca fecha-se a sete chaves e a minha expressão fica horrívelmente desagradável, pelo menos é o que dizem os que me rodeiam. Portanto, se me virem pela primeira vez e eu não vos dirigir a palavra ou apenas responder por monossílabos isso é muito mau sinal. Se sorrio e falo então está tudo bem. Sou tão básica quanto isto, ou tão estúpida quanto isso, depende da perspectiva.
Para aqueles de quem gosto, não sou aquela parvinha que está sempre a sorrir e que trata toda a gente por "inha" ou que diz precisamente o que as pessoas estão à espera de ouvir. Se estiver mal-disposta isso nota-se, se não concordar com alguém digo-o (agora com muito mais tacto que antes), uso muito (demais) a ironia e há quem não entenda (mais do que se pensa). Não sou má, não sou, mesmo. Acho que me pareço com um limão por fora, ou uma lima, uma lima parece sempre mais azeda que um limão; mas por dentro não tem nada a ver. Há pessoas que conseguem tirar a radiografia à lima e ver que por dentro há uma manga madura (assim de repente não estou a ver fruta mais doce que manga madura). Há pessoas que não se deixam enganar pela minha carapaça como me disse a S. esta semana.
"Tu a mim nunca me enganaste... Essa pessoa horrível que tu achas que projectas, eu nunca a vi e quando te via a "actuar" só me dava vontade de rir."
Que leu algures que "Por detrás de um cínico está quase sempre um grande sentimental". Não sei se isto é ser cínico, talvez. Vou procurar ao dicionário.

quinta-feira, 24 de Dezembro de 2009

Boas Festas, agora a sério

O que quero para os outros é exactamente o que quero para mim:
Que passem umas boas Festas na companhia dos que mais gostam e, se assim o desejarem, que tenham muitas prendas :)
I.

quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

As festas

Hoje estou de abalo para cima para a romaria habitual a "casa" para as festas sejam elas quais forem. Estou eu e deve estar metade do país, ou metade de Lisboa que para alguns é a mesma coisa mas adiante.

Hoje estou de abalo para cima portanto, ontem, estive de mala, o que é sempre uma operação penosa. Acontece que desta vez simplifiquei; meia dúzia de trapos lá para dentro, um par de sapatos, as prendas, o sem fim de cabos completamente indispensáveis, dois livros, espaço para enfiar o nécessaire de manhã e já está! 10 minutos no máximo, a loucura da eficiência. Depressa e bem não há quem, é mentira, está provado.

Hoje estou de abalo para cima portanto, mais logo, vou pôr a minha paciência à prova, para chegar a Sete Rios, para entrar na segunda circular, para aguentar a A1 e aí por diante até chegar a casa. 5 horas no mínimo, a loucura da lentidão. Devagar se vai ao longe, diz que é verdade, vamos ver.

Sei lá que mais dizer... É bom ter onde ir passar as festas, isso é. Dá uma trabalheira, pois dá. Mas vale a pena, acho que vale. E não é pelas prendas porque, que eu saiba, não vou receber nenhuma, é o combinado lá em casa. Prendas só para as crianças.

Então um Feliz Natal, seja lá o que isso for para cada um de nós.

terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Os colegas que se tornam amigos

Simpatizei com ele assim que o conheci, uns meses depois de ter começado a trabalhar onde estou agora, garoto em corpo de homem, a boa disposição em pessoa, via-se que era genuíno. E era, raramente me engano nestas coisas. Chegava todos os dias com um sorriso, no inverno passava na minha mesa para "roubar" creme para as mãos, não digas a ninguém que ponho creme, eu só me ria.
Passado uns tempos foi embora e passado outros tempos fui eu também para o mesmo sítio. Baptizou-me, não vou dizer de que nome, por conviver praticamente só com homens, uma mulher engenheira é uma treta, ou não, sei lá; então quando queriam ter conversas de "homens" à minha frente eu transformava-me naquela personagem inventada por ele. Tinha uma certa piada, tenho que admitir.
Ele continuava na mesma, pois lá está que eu não me engano, mas eu fechei-me porque me fizeram fechar e porque eu deixei. Ele tentou puxar por mim, vamos nadar (o pior torcicolo da minha vida foi culpa dele, corpo na água quente e cabeça à neve), vamos andar de bicicleta, vamos jantar todos. Vamos, vamos, vamos. Não, não, não.
Até que acho que desistiu, ninguém aguenta muito tempo por muita boa vontade que tenha, soube que desistiu quando me perguntou com uma cara que não lhe conhecia: Mas ó miúda qual é o teu problema pá? Acorda prá vida!
Hoje voltei a vê-lo, dois anos depois. Começou a sorrir mal me viu ao fundo do corredor. Está na mesma, acho que até parece mais novo, está descasado, tem novo amor (desta é que é) e vai ter um bebé que quer que seja menina. As meninas gostam mais dos pais, digo-lhe eu. Faltavas tu para dizer essas coisas. Estás melhor, diz-me ele. Pois estou, qualquer dia vou-te visitar... É quando quiseres!
Olha que vou, olha que vou.

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Óleos

No dia em que conseguir pintar maçãs, pêras, copos ou o que quer que seja assim, largo a engenharia, mudo-me para o sul de França e dedico-me à pesca ou à agricultura...
Escuso de ter medo, com o tempo que tenho para praticar, isso há-de ser nunca.

Assim, é como aqui:
Postcards from Provence


Hoje

Só mais 5 minutos.
Pedi este tempo a mim própria hoje de manhã quando o telemóvel tocou; já ninguém tem despertadores, hoje em dia julgo que só já há telemóveis, uma seca tremenda porque não convém atirá-los ao chão ou dar-lhes um valente soco com a mão para os calar, aquilo depois serve para outras coisas também. Aquele acto de deitar a mão para fora dos lençóis para abafar o pi-pi-pi-pi insistente que vem do lado, acho que só existe mesmo nos filmes. De qualquer maneira eu nunca tive nenhum, o simples barulho do tic-tac impedir-me-ia de dormir, os digitais são feios (é uma razão tão válida como outra qualquer) e se estiver de bem com a vida acordo naturalmente à hora que tem que ser.
Concedi-me então 5 minutos. Isto depois de ter dormido uma noite inteira sem interrupção com o meu livro como companheiro do lado, este ao menos não ressona, não encosta os pés gelados aos meus e não me rouba o edredon. Ninguém precisa de mais tempo depois de uma noite inteira de olhos fechados mas esses miseráveis 5 minutos transformaram-se em aproximadamente 90, pelo menos era isso que dizia o bendito telemóvel a vez seguinte em que olhei para ele.
Sou uma mulher nova. Já durmo como toda a gente, sem drogas, sem tampões de silicone para os ouvidos, sem chá noite tranquila, sem essência de alfazema, sem venda nos olhos, sem sei lá que mais coisas existem para ajudar as pessoas a dormir. Já sei (de novo) o que é querer preguiçar só porque sim durante a manhã e não porque não há nada de interessante neste mundo que me faça querer levantar da cama. Não que tenha algo interessante na minha vida que me faça levantar da cama mas pelo menos não é nisso que penso. E isso já é uma grande coisa.

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Conversas

Vai uma pessoa, eu, a pensar na vida, no comboio, a caminho do trabalho, vinda de uma sessão de esfrega matinal (a última antes do ano que vem), não estou a olhar para nada em especial mas sei que a próxima paragem é Benfica porque a senhora do altifalante acabou de dizer.

Olhe como ela cai agora. (é a senhora que vai ao meu lado no banco)
Desculpe?!
A chuva.
Ah, sim, faz falta...
Se faz! Lá para a minha terra qualquer dia não corre água nos chafarizes. Mas isto lá pra cima deve ser de neve, ontem falaram em neve aqui para a serra de Sintra, não sei.
Pois... (a palavra mais versátil da língua portuguesa é esta)
Gosto tanto de neve, quando a gente éramos (ai...) novos, lá pra cima, divertíamos-nos muito. Sabe que nem faz frio quando neva?
Sei... (oh se sei...)
Era mesmo bonito, ver aquilo nas árvores. Agora já ninguém planta árvores, os Americanos até disso deram cabo, os velhos morreram e os novos não querem saber. E depois falta o oxigénio, a gripe A é isso, falta de oxigénio... Ai menina, como isto anda.
Pois... (É quase a minha estação, pego na mala e preparo-me para me levantar)
Bom Natal menina!
Boas festas também para si...

Acho que foi a primeira vez que alguém meteu conversa comigo nos transportes públicos aqui. Há uma primeira vez para tudo...

quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Auto-confiança e optimismo é...

... andar há 3, quase 4, anos a subir as escadas do refeitório aqui do trabalho e pensar todas as vezes: É desta que me vou espalhar e dar um espectáculo de graça ao pessoal...