terça-feira, julho 11, 2017

Tudo sobre a minha mãe

Em 2017 fui mãe e perdi a minha mãe. O universo ficou equilibrado, mais um menos um dá zero, e eu perdi o equilíbrio sem o poder mostrar nem de facto perder.
Durante cerca de 5 meses as vidas delas cruzaram-se; se formos ver foi uma sorte porque podia nem sequer ter acontecido e foi do que mais tive medo o tempo todo. Ainda assim, e não equeço o dia em que lha levei pela primeira vez, sei que um dos maiores desgostos da minha mãe, e meu, foi nunca ter visto a neta com os olhos. Tocou-lhe, pegou-lhe, beijou-a, ouviu-a, cheirou-a, falou-lhe mas nunca a viu. Às vezes acho que a minha mãe continuou a viver para além do que era expectável para conhecer a M C e que, feito isso, missão cumprida, pensou que já podia ir. Mas e eu? A quem telefono todas as manhãs agora? A quem telefono a toda a hora agora? E a quem conto que a miúda passou na inspecção dos 6 meses; que já come sopa e fruta quase sempre de boca aberta e que continua a não querer dormir sestas nem que lhe paguem? Quem é que me dá colo a mim? 
Choro pela primeira vez quase passado um mês; já achava que nunca mais ia chorar, que só já era capaz de me enfurecer. Afinal não. 
Que doença estúpida; já era tempo de lhe darem a volta...


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